segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

(270) Concerto de 8 de dezembro da Orquestra de Brasília


ORQUESTRA SINFÔNICA DO TEATRO NACIONAL CLAUDIO SANTORO



Concerto de 8 de dezembrro de 2009

George Frederic Haendel (1685-1759)


Concerto Grosso, opus 6 n°1

- A tempo giusto

- Allegro

- Adagio

- Allegro

Música aquática

Suíte n° 1 em sol maior, HWV 348

- Overture
- Allegro

- Adagio e staccato

- Allegro - Andante
- Passepied

- Air
- Bourrée
- Agudo

- Allegro moderato
- Hornpipe
- Menuet

Suíte n° 3 em sol maior, HWV 350

- Sarabande
- Rigaudon I

- Rigaudon II

- Menuet I

- Menuet II

- Gigue I

- Gigue II


Suíte nº 2 em dó menor

- Allegro

- Menuet
- Bourrée

- Lentement

- Alla hornpipe

Regente e solista: Erich Lehninger


8 de dezembro de 2009, 20 horas


Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Claudio Santoro



(Retire seus ingressos gratuitamente na bilheteria do teatro, de meio-dia até minutos antes do concerto)


Comentários de João Marcos Coelho

Concerto Grosso, opus 6 n°1


Haendel, Concerto grosso Op. 6, nº 1 (Parte 1)


Haendel, Concerto grosso Op. 6, nº 1 (Parte 2)

Em relação às óperas e aos oratórios, a produção concertante de Haendel é pequena. Mas muito representativa. Além da “Música Aquática” e da “Música para os Fogos de Artifício Reais” e dos três concertos para oboé, obras de juventude, Haendel publicou na maturidade três coletâneas de concertos: os seis do opus 3, em 1738; os doze do opus 6, dois anos depois; e outro grupo de concertos para seu instrumento de preferência só publicamente postumamente, em 1761.
Os mais conhecidos são, sem dúvida, os doze concertos do opus 6, conhecidos na época como “Grand Concertos”. Obedecem à estrutura dos ‘concerti grossi’ – onde um pequeno grupo de instrumentos atua como solistas em relação ao tutti orquestral - e foram todos escritos para a mesma instrumentação: dois violinos e um violoncelo solistas, cordas e contínuo. Ele acrescentou partes de dois oboés nos concertos n° 1, 2, 5 e 6.
O concerto n° 1 é um dos mais encantadores. Prestem atenção no Adagio, de forte influência italiana; e no terceiro Allegro, que já remete aos andamentos típicos das sinfonias pré-clássicas da segunda metade do século 18.
É sempre bom lembrar que estes concertos não foram concebidos para o palco, mas sim como intermezzi instrumentais de grandes obras vocais, sobretudo nos intervalos de seus oratórios.


Música aquática


Haendel, Suíte n° 1 em sol maior, HWV 348, Música aquática (trecho) Orchestra of the age of Enlightenment, Roger Norrington


Haendel, Suíte n° 1 em sol maior, HWV 348, Música aquática (trecho) Orchestra of the age of Enlightenment, Roger Norrington


Haendel, Suíte n° 1 em sol maior, HWV 348, Música aquática (trecho) Orchestra of the age of Enlightenment, Roger Norrington


Haendel, Suíte n° 1 em sol maior, HWV 348, Música aquática (trecho) Orchestra of the age of Enlightenment, Roger Norrington

A história não parece de todo verdadeira, mas é sensacional. Em 1712, Georg Friedrich Händel, músico da corte de Hanôver, obteve permissão do Eleitor de Hanôver para viajar a Londres e ausentar-se por um período determinado de seu emprego. O compositor, entretanto, entusiasmado com os ingleses, não deu satisfação alguma – e estabeleceu-se em Londres definitivamente. Mudou até seu nome para George Frideric Haendel. Mas não contava que seu antigo patrão germânico assumisse, dois anos depois, o trono inglês com o nome de George I.
Reza a lenda que Haendel compôs três suítes instrumentais, estreadas por um grupo de músicos a bordo de um barco logo atrás da embarcação real, em 17 de julho de 1717: em pleno verão inglês, o rei George I decidiu subir o rio Tamisa de Whitehall a Chelsea, onde jantou com Lord Ranelagh; e em seguida regressou ao Palácio de Saint James. Haendel e seu grupo de músicos executaram então, durante o percurso real, estas suítes que levaram historicamente o título de “Música Aquática”.
Compõem-se basicamente de suítes de danças estilizadas: da bourrée à sarabande, visitam também o passepied, o minueto e até a hornpipe local. Sem nenhum preconceito, misturam Allegros, Andantes e Arias com as danças, numa deliciosa confusão barroca que vigorou imediatamente antes que as danças fossem banidas da grande música pelos clássicos vienenses Haydn, Mozart e Beethoven (o minueto, única dança a resistir na música dos dois primeiros, foi substituído pelo scherzo por Beethoven).
Os fatos são um pouco diferente, porém. Na verdade, o rei George I assistiu em 1714 a uma montagem da ópera “Rinaldo” de Haendel em Londres – e deve ter gostado muito, sobretudo da célebre ária “Lascia ch’io pianga”. Mas, se mesmo assim eles permaneceram brigados – o que é altamente improvável --, Haendel pôs um final definitivo à rusga com este gesto ousado em julho de 1717. Rei nenhum – alias, ser humano algum resistiria ao poder de sedução desta música. Haendel, de fato, tem o poder, como escreve Shaw [veja o glossário].


GLOSSÁRIO

“Haendel tem o poder”
“Na Inglaterra, Haendel não é apenas um compositor; é uma instituição. E mais: uma instituição sacrossanta. Quando se interpreta ‘O Messias’, no momento em que se inicia o coro Aleluia, a platéia levanta-se, como se estivesse na igreja. Para os anglicanos, é o que mais se aproxima da sensação experimentada durante a Eucaristia católica. A cada três anos, realiza-se um Festival Haendel, onde seus oratórios são interpretados por 4.000 executantes recrutados entre todos os corais da Inglaterra. O efeito é horrível, mas todo mundo assegura que é sublime. É de suas óperas que Haendel pinçou inúmeras árias para seus oratórios, adaptando-as a textos religiosos: por exemplo, ‘Rendi’l sereno al ciglio, madre: non pianger più’ transformou-se em ‘Lord, remember David! Teach him to know Thy ways’ [ária do início da ópera “Sosarme”, de 1732]. Se algum desavisado, na Inglaterra, tentasse readaptar esta ária do oratório com palavras profanas seria provavelmente acusado de blasfêmia. (...)
A música de Haendel é a música mais inglesa possível. Se Dr. Johnson [Samuel Johnson (1709-1784), protótipo do intelectual inglês: jornalista, escritor, poeta, ensaísta, objeto de uma das mais famosas biografias de todos os tempos, “Life of Samuel Johnson’ de James Boswell] tivesse sido músico, teria composto como Haendel. É com Haendel que aprendi que o estilo resume-se à força com a qual se afirma. Se você é capaz de dizer algo de modo decisivo, então tem estilo; senão, você é no máximo um ‘escritor de salão’ ou um músico ‘confiseur’ [confeiteiro]. Haendel tem o poder. Quando ele coloca música nas palavras ‘Fixed in His everlasting seat’ [verso do coro duplo dos israelitas e filisteus no final da segunda parte do oratório Sansão], o ateu reduz-se ao mutismo: Deus está ali, sentado em seu trono eterno por Haendel, mesmo que você despreze estas tolas superstições. Você pode desprezar o que quiser, mas jamais conseguirá contradizer Handel (...) Quando Haendel te diz que quando os judeus saíram do Egito “não havia entre eles nenhum fraco”, pode acreditar que não havia ninguém sequer com gripe. Haendel não quer saber de nada: ‘Não havia entre eles nenhuma pessoa doente, nem uma única sequer’ e a orquestra repete esta afirmação com acordes bruscos que te deixam sem voz. É por isso que os ingleses acreditam que Haendel ocupa no céu uma posição muito importante. Neste caso, o bom Deus deve ter em relação a ele os mesmos sentimentos que Luís XIII nutria por Richelieu [Cardeal de Richelieu (1585-1642), foi primeiro-ministro do rei Luís XIII entre 1628 e 1642; o grande arquiteto do absolutismo e responsável pela liderança francesa na Europa de seu tempo].
Ainda assim, na Inglaterra sua música é assassinada pela tradição de corais gigantescos! As pessoas acham que 4.000 cantores fazem 4.000 vezes mais efeito do que uma. Que erro! (...) É possível obter um fortíssimo de efeito sensacional com vinte bons coristas (...) Se eu fosse membro da Câmara dos Comuns, apresentaria um projeto de lei instituindo como crime capital a execução de um oratório de Haendel com mais de 80 pessoas no coro e orquestra, isto é, 48 cantores e 32 instrumentistas. Não é necessário mais do que isso para dar vida à música de Haendel na Inglaterra, onde ela verga sob o peso de sua enorme reputação e da idéia estúpida de que a grande música exige uma grande orquestra e um grande coral.”
(George Bernard Shaw, em artigo de 1913; Shaw foi, além de dramaturgo muito conhecido, crítico musical por meio século)

Erich Lehninger – Regente - Solista

Erich Lehninger é natural da Alemanha, onde começou a tocar violino aos cinco anos de idade orientado por seu pai. Com onze anos tornou-se aluno de Helmut Zernick, em Colônia, e neste mesmo ano estreou em público com um recital de violino e piano.
Em 1963, integrou-se à classe de Max Rostal na Escola Superior de Música em Colônia, onde se diplomou em 1969. Ainda como estudante, exerceu o cargo de Spalla da Orquestra de Câmara da Renânia. Foi solista de muitas renomadas orquestras, como Bamberger Sinfoniker (Orquestra Sinfônica de Bamberg), Nordwestdeutsche Philharmonie, Westfälisches Sinfonieorchester e outros. De 1971 a 1974, foi Spalla da "Nordwestdeutsche Philharmonie", sob a direção de Erich Bergel, enquanto continuava seus estudos sob a orientação de Arthur Grumiaux.
Sua extensa atividade como Solista e Camerista o levou para muitas cidades em quatro continentes, inclusive ao Brasil em 1970, onde realizou a primeira audição sul-americana do concerto "Memória de um Anjo" de Alban Berg.
Desde 1975 está radicado no Brasil. Neste mesmo ano, fundou, junto com Gilberto Tinetti e Watson Clis, o "Trio Brasileiro" que logo se consagrou com apresentações e gravações no Brasil e no exterior. Atua regularmente como solista com orquestras importantes do país e gravou LPs e CDs para os selos PHILIPS, ELDORADO, CDA, LAMI e DAKTYLOS.
Foi Spalla da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e Spalla e Regente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre outras orquestras.
Foi professor da Universidade da Paraíba, em João Pessoa, da USP e da UniRio, e é responsável pela formação de duas gerações de jovens violinistas brasileiros.
Suas permanentes pesquisas sobre música brasileira resultaram em projetos, em especial o "Memória Musical", iniciado em 1998 e patrocinado por grandes empresas como Volkswagen do Brasil, Grupo Ultra, Petroquímica União, Banco BNL do Brasil, Visanet, e que contou com o apoio de Siemens, Terra, Jornal o Valor, Banco Santos, Bradesco, CBN, Rádio Eldorado e outros.
É detentor de premiações como o “Prêmio de Música de Câmara da Cidade de Colônia” (Alemanha); o “Troféu Eldorado de Música Erudita”; o “Prêmio Lei Sarney”; o ”Prêmio Carlos Gomes” e “Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte”.
Como regente, tem atuado a frente à Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, à Orquestra Sinfônica de Recife, à “Sinfonia Cultura” de São Paulo, à “Sinfonietta Rio”, entre outras.
Dando sempre ênfase à música de concerto brasileira, Erich Lehninger é um dos músicos de maior destaque no panorama musical nacional.


"Unidade, Direito e Liberdade" - uma história alemã de sucesso


O Hino Nacional alemão, originado do movimento republicano e democrático de meados do século XIX, proclama a busca por unidade, justiça e liberdade para a Alemanha - dividida naquela época e dividida de novo depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje aquela promessa é realidade. Em 2009, a Alemanha celebra o duplo aniversário de 60 anos da Lei Fundamental e 20 anos da Queda do Muro de Berlim. Ambos os eventos estão intimamente ligados. Eles formam a base da República Federal da Alemanha, tal como ela existe hoje.

Sessenta anos da Lei Fundamental (23 de maio 1949), assim é denominada a Constituição da República Federal da Alemanha (RFA), significam seis décadas de democracia, de Estado de Direito, que protege a dignidade humana; de estado social e de uma economia de mercado. Durante 40 anos, a Lei Fundamental tinha validade apenas no ocidente até a fronteira entre as duas Alemanhas e em Berlim até o muro. A catástrofe causada pela ditadura nacional-socialista de Hitler teve como consequência a divisão da nação em dois Estados: em um, na RFA, vigorava uma democracia integrada à comunidade dos países livres; no outro, na República Democratica Alemã (RDA), uma ditadura comunista sob domínio soviético. Desde o início, a Lei Fundamental perseguiu também o objetivo da unidade dos dois Estados alemães. As suas promessas de um Estado de Direito livre eram também muito atraentes para os cidadãos da RDA, que se ressentiam da liberdade restringida e o baixo nível econômico sob o regime comunista.

A unidade e liberdade seriam inimagináveis no inicio das demonstrações contra a ditadura comunista - o primeiro levantamento tendo sido derrubado pelos tanques soviéticos em 1953. Mas em 1989 cidadãos corajosos exigiam, de forma cada vez mais nítida e maciça, os seus direitos e liberdades. Aqueles que participaram das manifestações pacíficas, conquistaram no fim a queda do Muro, da fronteira letal, e, junto com os movimentos democráticos da Europa oriental a queda da Cortina de Ferro que separava a Europa. Assim eles transformaram a Alemanha, a Europa e o mundo. A liderança do Estado alemão do leste desmoronava-se a passos largos uma vez q a União Soviética de Michail Gorbatschev não queria mais apoiar aquele regime avesso à reformas. E, finalmente, em 9 de novembro 1989, caiu o Muro. Assim, a liberdade, que os próprios alemães conquistaram, aplainou o caminho para a unidade, concluída em 3 de outubro de 1990, dia essa da Unidade Alemã, que passou a ser nosso Dia Nacional.
Como parceiro confiável no mundo, a Alemanha continua almejando conquistar e preservar a paz, impedir e debelar conflitos, fortalecer e desenvolver o Direito Internacional, fomentar o desenvolvimento e ajudar em catástrofes humanitárias - esses são os objetivos que a Alemanha persegue há 60 anos, independentemente das cores dos partidos políticos governantes.





PRÓXIMO CONCERTO DA OSTNCS

Concerto de Encerramento da Temporada 2009
Terça-feira, 15 de dezembro de 2009, às 20 horas
Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional
No programa:
E. Humperdinck: Haensel und Gretel (João e Maria)
Regência: Ira Levin

Solistas
Daniella Carvalho
Denise de Freitas
Ednéia de Oliveira
Janette Dornellas
Homero Velho



Entrada Franca
Programação sujeita a alterações



(O Semibreve pede licença para transcrever o conteúdo abaixo, que vem do Clube do Maestro - música clássica e adjacências, de autoria de Ricardo Prado.)


Haendel: 250 anos depois

Ontem foram lembrados os 250 anos da morte de Georg Friedrich Haendel. Eu não me esqueci, mas a tecnologia ajuda na mesma frequência em que atrapalha e só hoje posso vir ao Clube para lembrarmos dele.

Embora nascidos no mesmo ano - 1685 - Haendel, Bach e Scarlatti tiveram trajetórias forjadas por demandas distintas, mas também por ambições pessoais muito diferentes. Haendel foi compositor, empreendedor, diretor de ópera, político, glutão, cidadão do mundo, em tudo ambicioso, realizador e superlativo. Comia e bebia demais, compunha rápido, sempre com brilho e agudo sentido de oportunidade.

Ainda muito jovem foi para a Itália e passou 3 anos viajando e montando suas óperas, oratórios e cantatas por Florença, Roma, Nápoles e Veneza. Essa experiência deu a ele a oportunidade de dominar as técnicas da melodia italiana, fazendo dele um dos mais importantes compositores de ópera do barroco, produção infelizmente pouquíssimo conhecida entre nós. Recentemente, como num ensaio das grandes comemorações desse ano, foram sucesso as montagens de Haendel; apenas para recordar algumas, foram sucessos estrondosos as montagens da comédia "Imeneo", feita em 2007 pela Glimmerglass Opera, em Nova Iorque; a "Ariodante" de maio de 2008 do Convent Garden, em Londres; o "Julius Caesar" do Festival de Lausane em julho do ano passado e o "Tamerlano" da Washington National Opera, que foi o 126o. papel da carreira de Placido Domingo, grande responsável pelo brilho da ópera da capital americana desde que assumiu a sua direção. Além dele, grandes estrelas têm gravado suas árias, como Patricia Petibon, Lorraine Hunt Lieberson, Joyce DiDonato e Danielle de Niese. Como exemplo, escolhi a ária "Dopo notte, atra e funesta", da ópera "Ariodante", interpretada por Magdalena Kozena no Palais des Beaux-Arts, em Bruxelas, acompanhada pela Orchestra Barocca di Venezia dirigida por Andrea Marcon.

Renée Fleming tem as árias de Haendel entre suas prediletas e o seu álbum dedicado a elas é um primor. Como um pequeno e delicioso exemplo, essa gravação de "Endless Pleasure', da ópera Semele.

Mas não podemos falar em ópera de Haendel sem ouvir a sua mais famosa ária, "Ombra mai fu", da ópera Xerxes. Ela está nos repertórios de cantoras e cantores, e a interpretação que escolhi foi a de Rolando Villanzón,na St.Paul Church com o maestro Paul McCreesh dirigindo o conjunto Gabrieli Players em 2008.

Mas Haendel também foi o mestre da música instrumental elaborada, capaz de transparentes e delicados contrapontos, como das grandiosidades necessárias às cerimônias monumentais da corte inglesa do rei George II, a quem ele serviu como mestre capela. Foi para uma dessas ocasiões que ele compôs as três suites que ficaram conhecidas como "Water Music", ou, entre nós, como "Música Aquática". O rei não estava em seus melhores dias e seus conselheiros indicavam a necessidade de algo grandioso que não apenas demonstrasse poder e riqueza - exatamente o que lhe faltava -, ao mesmo tempo em que agradasse aos seus súditos. A festa foi um grande desfile de embarcações pelo Tâmisa, onde uma grande barcaça transportava os 50 músicos reunidos para a grande ocasião.

A interpretação desta parte da Suite I é do conjunto Les Concerts des Nations, dirigido por Jordi Savall.

Não seria razoável homenagearmos Haendel sem lembrarmos dessa obra genial que é o oratório "Messiah" e, nele, não poderia deixar de destacar esse sucesso de todos os públicos desde a sua criação que é o "Aleluia". Mas qual será o sucesso de tanta beleza, dessa sensação de entusiasmo e elevação que esse música nos oferece? Acho que nenhum músico descordará que ela está, inicialmente, no ritmo em que Haendel escreve estas sílabas. Ele poderia escrevê-la atribuindo a mesma duração a cada sílaba; se você experimentar cantar, com a mesma melodia, mas em tempos iguais A - LE -LUI - A, verá como soa aborrecido,e, é claro não seria Haendel. Sem precisar pensar muito sobre o caso, ele decidiu nos provocar a dupla sensação de elevação com a prolongação da primeira sílaba, e da precipitação quase dançada no final da palavra. Assim: AAAAAAAA - le - lui - a. É quase como uma tradução musical da celebração que é um Aleluia. Depois, na seção que começa com "King of kings", Haendel repete a mesma nota várias vezes, uma para cada sílaba: 'king - of - kings' and 'lord - of - lords.' Mas ele repete o trecho cada vez em registros mais agudos, cada um deles parecendo ser a maior altura a que se poderia chegar. Uma aparente calmaria descendente está lá apenas para combinar as duas partes, construindo um climax final que não poderia ser mais exuberante. A gravação que escolhi é a do grande regente coral americano maestro Robert Shaw, a frente da Orquestra e Coral de Atlanta.

Haendel é a síntese genial do que havia de melhor em sua época: a melhor ópera italiana, o mais sofisticado coral alemão e a opulência da celebração inglesa. O resto é silêncio.


domingo, 6 de dezembro de 2009

(269) Pauta musical, cultura no rádio

PAUTA MUSICAL
Um passeio pela magia da música erudita

O programa Pauta Musical, produzido e apresentado por Ana Lúcia Andrade na rádio Câmara, aos domingos, 8 da noite, transpõe as fronteiras do Brasil e da América e ganha espaço na Europa a partir da CSB Rádio, de Portugal, em parceria inédita com a Rádio Câmara FM, num projeto que tem o apoio do Instituto Camões.

Todo primeiro sábado de cada mês, o programa leva o ouvinte à descoberta de novos sons, partituras e narrativas, com destaque para o talento de compositores e intérpretes da terra brasilis.

Divulgar a musicalidade brasileira além mar é um privilégio que tem um sabor especial ao reunir nossa gente de alma comum, que com diferentes sotaques se une na língua portuguesa. A CSB Rádio localizada em Cascais, transmite para toda a Grande Lisboa e tem a ambição de ser a primeira rádio de cultura privada em Portugal.

Num passeio pela magia da música erudita, o programa de estreia em terras lusitanas, dia 5 de dezembro de 2009, visita o universo dos compositores num breve panorama da história da música, desde os primórdios do homem até os dias contemporâneos.

No primeiro sábado de cada mês, às 10 da manhã, hora de Portugal (8 da manhã no horário de verão brasileiro), a transmissão em tempo real pode ser acompanhada pela internet no site www.csbradio.com.pt no link Emissão online.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

(268) Brahms, Quarteto de cordas em dó menor, Op. 51 nº 1

Quarteto Capital
(Daniel Cunha Rêgo, Igor Macarini, Daniel Marques, Augusto Guerra Vicente)

Johannes Brahms, Quarteto de cordas em dó menor, Op. 51 nº 1



1/2 I. Allegro (beginning)


2/2 I. Allegro (end)


II. Romanze: Poco adagio


III. Allegro molto moderato e comodo


IV. Allegro

When Beethoven died he left behind a legacy that would haunt every composer to follow. Especially in the genres of the symphony and the string quartet , he dominated them to the extent that his name became almost synonymous with the terms. It is no surprise, then, that many composers of the nineteenth century felt intimidated by Beethoven's ghost.
Brahms was no exception. He spent over twenty years as a composer before he finally published his first symphony. Likewise, his first string quartets underwent a gestation period of several years before he felt they were ready for the world. In fact, Brahms once claimed to have written and destroyed no less than 20 quartets before bringing out this one! It is no great surprise, then, that this quartet is so polished and magnificent.
A remarkable thing about this c minor quartet is that Brahms has packed every last bit of the music with the main musical ideas. There are no "filler" notes here; everything comes in some way or another from the main motifs. Arnold Schoenberg wrote a famous essay, "Brahms the Progressive", which praised Brahms for creating such a "totally thematic" piece of music.
Brahms' romantic ambition is apparent right from the start. The broad meter, lusty main theme, and driving energy all combine to set the tone for the rest of the piece: a tone of frustration and longing. Even when the second theme arrives the somber mood is not lost... the movement sustains this depressed state all the way into the agitated finale. Even there, the music does not leave with a bang but rather with an exhausted fade-out.
Unlike the old classicists, Brahms took care to make the middle movements have just as much weight as the outer ones. In the second and third movements we are at least treated to some moments of relief, but even these are muted in character. All the while, Brahms incorporates fragments of themes from the first movement, as a way of keeping a sense of unity between movements.
The last movement opens with a bang... perhaps the bang that we never got at the end of the first? Certainly the opening statement sounds like a remnant from the first movement, with that familiar dotted figure. Now all four movements have been joined together naturally through the use of thematic material. The fourth movement is once again an expression of our main themes of frustration and longing... the movement spends most of its time in an unstable state, unable to find a key to call home. Near the end, Brahms teases us a bit, making us think for a moment that perhaps the music will move to C major (a move that would have brought a tone of optimism to the closing of this piece). This expectation is burst, however, when the music launches into a grim, tragic ending that gives a final answer to the searching theme at the very start of the quartet. Extraído DAQUI

(267) Marcos Cohen, O escritor, para clarineta e cordas

Marcos Cohen e Quarteto Capital

Marcos Cohen

Marcos Cohen iniciou seus estudos de clarineta em Belém do Pará com Jacob Cantão (Brasil), Jindrich Sidla (República Tcheca) e Oleg Andryeyev (Rússia). Durante os cursos de mestrado e doutorado, estudou com Paul Garritson (University of Missouri) e Steve Cohen (University of Cincinnati - College Conservatory of Music) e Pedro Robatto (UFBA).
Realiza intensa atividade camerística, juntamente com o Quarteto de Cordas Capital e Líliam Barros (piano). Além de instrumentista, é compositor, tendo suas obras apresentadas por importantes músicos e grupos nacionais e estrangeiros como: José Medeiros (oboé), Gustavo Coberstein (fagote), Barry Ford e Ayrton Benck (trompete), Clarissa Schneider (piano), Quarteto de Cordas Capital, Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, Economic Quartet, University of Missouri Philharmonic Orchestra, Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, entre outros.
É detentor dos prêmios: Instrumentista do Ano de 2000 da Cidade de Belém, Charles Emmons Award - EUA (2003), Young Artist Competition - EUA (2004) e Prêmio Waldemar Henrique de Composição (2006).
Atuou na Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz e na Amazônia Jazz Band, ambas em Belém, e, desde 2005, é clarinetista da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, em Brasília, e professor da Universidade Federal do Pará e da Fundação Carlos Gomes.

Marcos Cohen: O escritor, para clarineta e cordas (primeira audição mundial)

I. O estranho bule
II. O rei torto
III. A janela mágica
IV. O voo do galo (percussão no 4º movimento)


1/2 Marcos Cohen, O escritor, para clarineta e cordas

Marcos Cohen e Quarteto Capital, Brasília, 22NOV2009


2/2 Marcos Cohen, O escritor, para clarineta e cordas
Marcos Cohen e Quarteto Capital, Brasília, 22NOV2009



Quarteto Capital
O Quarteto Capital é composto por músicos com grande experiência musical em orquestras e conjuntos camerísticos de Brasília e outras cidades. Membros efetivos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro e colegas de aprendizado e aperfeiçoamento na Escola de Música de Brasília (além de outras instituições, como a Uni-Rio), sentiram necessidade de se lançarem à prática de música de câmera. Para isso, escolheram a formação camerística mais importante do universo clássico: o quarteto de cordas. Em 2005, participaram de um Festival organizado pela EMB depois de estrearem sob os auspícios do Prof. Buhumil Med em sua livraria.
Em 2006, apresentaram-se em comemoração ao aniversário de Brasília na própria Sala Villa-Lobos - onde trabalham como integrantes de orquestra e fizeram "masterclasses" com o renomado Prof. Paulo Bosísio, do Rio de Janeiro.
Apresentaram-se também no Festival de Música Instrumental de Cavalcante na Chapada dos Veadeiros, com grande sucesso.
O Quarteto Capital interpreta atualmente alguns dos maiores mestres da música erudita: Mozart, Haydn, Beethoven, compositores contemporâneos de Brasília, como Valéria Lehman e Marcos Cohen, além de arranjos e de mestres da música popular brasileira. O Quarteto Capital já se apresentou nos principais palcos da capital federal.
Em setembro de 2006, na Livraria Cultura, ofereceram ao público um repertório especial: o último movimento do Quarteto das Dissonâncias', de Mozart, o Scherzo do 'Quarteto nº 1', de Schumann, além do famoso 'Tema e Variações do Quarteto Kaiser', de Haydn, que atualmente é o hino da Alemanha. Na segunda parte, o Quarteto Capital recebeu ilustres convidados, com os quais executou peças de formação não nusual - o 'Quinteto para Minha Mãe', de Nino Rota e 'Introdução e Allegro', de Ravel. Nessas peças atuaram Cristina Carvalho (harpa), Luciana Morato (flauta), Kléber Lopes (oboé) e Marcos Cohen (clarineta).

O Quarteto é formado por Igor Macarini, Daniel Cunha Rego (violinos), Daniel Marques (viola) e Augusto Guerra Vicente (violoncelo).

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

(266) Nova apresentação da Tragédia de Salomé, de Florent Schmitt

Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, Regente Ira Levin
Florent Schmitt - A tragédia de Salomé

A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro apresentou mais uma vez A tragédia de Salomé, de Florent Schmitt, e vale a pena assistir a esses novos filmes, com uma regência vigorosa e uma execução de grande brilho.

Aqui vão as notas de João Marcos Coelho para essa peça que, executada pela segunda vez em Brasília, merece a nossa atenção.

Florent Schmitt, com Heitor Villa-Lobos
A reputação de Florent Schmitt baseia-se em apenas duas ou três de um total de 138 obras: a peça coral-sinfônica “Salmo 47”, o “Quinteto opus 51 para piano e cordas” e sobretudo esta “Tragédia de Salomé”, originalmente música para balé de 1906 que foi transformada em poema sinfônico quatro anos depois e estreado em 8 de janeiro de 1911 nos Concertos Colonne.
Baseada no poema de Robert d’Humières, é composta de duas partes: “Prélude” encadeado com “Danse des perles”; e “Les Enchantements sur la mer”, dando origem a “Danse des éclairs” e “Danse de l’effroi”.
A trama é a mesma da ópera “Salomé” de Richard Strauss: a bela lasciva princesa Salomé, filha da rainha Herodíades, é desejada por todos mas está particularmente fascinada por Jokanaan (o profeta João Batista), aprisionado no poço do palácio. Ela se oferece a ele, que a rejeita e adverte que não deve imitar a vida de pecados de sua mãe. Todos querem Salomé. Um guarda se mata de ciúmes. E o rei Herodes, que também deseja a enteada, pede-lhe que dance para ele, prometendo dar-lhe o que quiser em recompensa. Ela dança e pede então a cabeça de Jokanaan numa bandeja. Num dos mais escancarados êxtases eróticos da ópera até então, ela beija a cabeça decepada do profeta que a recusara em vida. Herodes, revoltado, manda matá-la.
Que música poderosa!
Schmitt dedicou “A Tragédia de Salomé” a Stravinsky.


Florent Schmitt, La tragédie de Salomé 1/3 (1906), Brasilia Orchestra, Ira Levin, 24NOV2009


Florent Schmitt, La tragédie de Salomé 2/3 (1906), Brasilia Orchestra, Ira Levin, 24NOV2009


Florent Schmitt, La tragédie de Salomé 3/3 (1906), Brasilia Orchestra, Ira Levin, 24NOV2009